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Entrevista com Evo, do lendário Warfare

On terça-feira, fevereiro 16, 2010

Durante os anos 80, surgiu uma banda lendária que nos trouxe a desgraça sob a alcunha de Warfare. A sonoridade era uma mistura de Metal com Punk, como já havia sido experimentada por bandas como Motörhead, Venom e Tank. Porém, de uma forma ainda mais intensa e caótica, começando assim a forma de expressão de ódio que viria a se chamar Metalpunk. À frente desse "campo de guerra" estava Paul Evo, mais conhecido como apenas Evo, que assumia bateria e vocais. O Warfare se dissolveu no início dos anos 90, mas deixou seu legado para as futuras gerações. A respeito dessa tragetória, Evo nos forneceu várias informações ao longo da entrevista que se segue.


Screams in The Night – Evo, em primeiro lugar eu gostaria de dizer que considero o Warfare uma das melhores bandas que já ouvi e é uma honra entrevistá-lo. Mas, vamos falar um pouco sobre sua carreira antes do Warfare. Como foram os tempos em que você esteve nas bandas Angelic Upstarts, The Blood e Major Accident?

Evo – Obrigado. Eu estive no Major Accident por três Singles e um Álbum, eles eram a maior coisa da cena em minha área local. Mas eu almejava mais, assim me mudando para a capital e me unindo ao The Blood, que na época era destinado pela imprensa a ser a próxima coisa grande depois do novo The Damned, embora não fosse. Eu fui para Soho para uma boa diversão e encontrei o baixista do [Angelic] Upstarts, que me disse que estavam procurando por um baterista. O resto, como dizem, é história. A cena musical na época era diferente de hoje, era mais vibrante, mais raivosa, nós tínhamos rebelião de verdade e nós nos dispúnhamos a isso PRA CARALHO!

S.I.T.N. – Como era a cena Punk na época? Você sempre teve interesse no Metal? Como era relação entre os dois estilos?

Evo – O Punk era muito underground e menos comercial que poucos anos antes. Novas bandas estavam dominando, como Iron Maiden, Tank, e eu realmente gostava de coisas poderosas. Quando eu estava em bandas punks, eu costumava ouvir Pink Fairies, Motörhead, Budgie, etc, e, embora eu tenha sido um precursor, a molecada estava começando a gostar de ambos os estilos. Então eu pensei “eu lhes darei ambos os estilos, apenas mais macabros e acima do nível do que qualquer coisa que tivesse aparecido antes... assim nasceu o Warfare”.

S.I.T.N. – Então, como veio a idéia de misturar Metal com Punk? Foi difícil encontrar pessoas com o mesmo interesse?

Evo – Eu criei o interesse. Obviamente, as pessoas e outros músicos pensaram que eu estava fodidamente louco, eu as disse para aumentar o volume até suas orelhas sangrarem... eu não iria sossegar por nada menos.

S.I.T.N. – Em 1984, o Warfare trouxe seus primeiros massacres ao mundo. Embora já houvesse bandas com elementos punk, como Venom e Tank, o Warfare foi algo como um passo definitivo para levar o estilo para dentro do Metal, tanto que é considerado o primeiro grupo de Metalpunk. Como foi a reação do público? Vocês encontraram resistências?

Evo – Os músicos de outras bandas pensaram que eu estava virando piada, mas é, cara, o mundo estava pronto para o Warfare e a reação do público foi ótima. Eles o amaram, cara.

S.I.T.N. – Você trabalhou com figuras como Algy Ward, Cronos e Lemmy, que, respectivamente, produziram “Pure Filth”, “Metal Anarchy” e “Mayhem, Fuckin’ Mayhem”. Como foi a experiência? O quanto eles contribuíram com o desenvolvimento do som da banda?

Evo – Eu criei o som e eu produzi o primeiro EP do Warfare. Então, eles não contribuíram para o som como ele era. Entretanto, eles eram todos membros de bandas pelas quais eu possuía 100% de respeito e foi bom trabalhar com eles.

S.I.T.N. – Assim como as músicas, as letras do Warfare são agressivas e caóticas. Elas são freqüentemente sobre sociedade corrupta, destruição e Armageddon. Quais foram suas inspirações? Você é um fã de literatura e cinema futuristas, sobre ficção científica e cyberpunk?

Evo – Todas as letras vêm de experiência de vida e o modo como eu vivia. Eu me recusei totalmente a me conformar (mesmo quando criança, eu era um pequeno bastardo puro) e eu ainda recuso a me conformar hoje em dia. Eu só desejo que os mais jovens sigam o meu exemplo. Assim, as inspirações foram o anti-conformismo, crença em si mesmo e individualismo.

S.I.T.N. – Fazer shows nunca o agradou, certo? Há alguma razão especial? O leque de possibilidades e diversão era maior no estúdio?

Evo – Eu toquei em vários shows com minhas primeiras três bandas, e eu achava que a rotina álbum/turnê, álbum/turnê era tão ruim quanto trabalhar das 9 às 5, e tão previsível... Deus, uma vez que você fez um show é a mesma coisa de novo e de novo. No estúdio eu podia criar a loucura!!!!

S.I.T.N. – Eu soube que em alguns shows, você costumava sabotar a aparelhagem de outras bandas. Havia alguma motivação para isto ou era apenas por diversão? Você foi banido de algum lugar devido a isso?

Evo – PORRA, banido de todos os lugares. A motivação era real, era como eu vivia planejando o maldito caos!!!!

S.I.T.N. – Ainda falando sobre apresentações ao vivo, eu li uma história engraçada, sobre um show no Hammersmith Odeon, em que o Warfare abriria para o Metallica. Mas, em protesto por ter que lidar com seus próprios gastos, vocês fizeram seu próprio show no estacionamento, enquanto o Metallica tocava. E depois, esmagaram alguns carros com seu caminhão! Isso é verdade? Isso trouxe problemas com a lei? Vocês estavam irritados com os produtores de shows naquela época?

Evo – Eu estava irritado com tudo. Nós acertamos sete carros com um caminhão de oito rodas, os esmagamos a fodidos pedaços. Passamos a noite na cadeia, conseguimos a primeira página no jornal e vendemos uma grande porção de álbuns... grandes tempos fodidos.

S.I.T.N. – Hoje em dia, é realmente difícil encontrar informações sobre o Warfare. Você poderia nos contar outros fatos engraçados e curiosos?


Evo – COQUETÉIS MOLOTOV!!! MIJAR EM AMPLIFICADORES, colocar fogo na bateria, jogar sangue de porco no platéia, seqüestrar promotores, tudo propriamente intenso, sem brincadeira!!!

S.I.T.N. – De quem foi a idéia de gravar “Two Tribes” e “Addicted to Love”, respectivamente, covers de Frankie Goes to Hollywood e Robert Palmer, duas músicas pop? Você aprecia este tipo de música? Ou o objetivo foi fazer uma paródia delas? Se sim, o público entendeu a idéia?

Evo – A primeira sim, eles a amaram. A segunda, não tenho tanta certeza, eu queria chamá-la de “Addicted to Drugs” e mudar a letras, mas [Robert] Palmer foi contra, mas eu consegui me esgueirar um pouco, ouça cuidadosamente! Eu não suporto este tipo de música, apenas o meu senso de humor (sic).

S.I.T.N. – “A Conflict of Hatred” provavelmente surpreendeu muitos fãs. Introduzir teclados e até mesmo um saxofone em um álbum de Metalpunk é muito incomum. Entretanto, eu acho que se encaixaram muito bem, e este é um grande material. Como as pessoas reagiram a ele?

Evo – Elas amaram aquele álbum e, depois de seu lançamento, todos os estilos de bandas de Metal, começaram a copiá-lo. Eu usei teclados em “Mayhem, Fuckin’ Mayhem” também, bem antes da minha época com o “A Conflict of Hatred”. Eu não posso estagnar, eu fico muito entediado com a rotina monótona.

S.I.T.N. – Bem, vamos agora falar sobre o “Hammer Horror”. Este álbum é diferente de tudo que o Warfare já havia lançado, e muitas pessoas não o apreciaram. Você disse uma vez que era “o álbum definitivo do Warfare”. Olhando agora para aquela época, você ainda mantém esta afirmação? Foi um álbum incompreendido e subestimado?

Evo – Olhando para aquela época, eu devia ter lançado esse álbum de forma solo, mas eu estava tentando me manter renovado, manter meu limiar de tédio em xeque através da criação... ÓDIO PARA CRIAR?

S.I.T.N. – Como foi trabalhar com a Neat Records? Há alguma razão em particular para sair dela no começo dos anos noventa?

Evo – Progresso avante e para frente.

S.I.T.N. – O começo dos anos noventa foi quando o Warfare se separou. Foi uma decisão natural quando você pensou que era a hora certa, ou algum problema levou a ela?

Evo – Não, eu não podia agüentar mais nada, eu esgotei todas as idéias, eu estaria apenas fazendo por fazer... como muitas outras bandas agora... turnê/álbum... turnê/álbum... arranje uma porra de um trabalho em uma fábrica, cara. Colocar parafusos em buracos o dia todo... você sabe, SE NÃO É PERIGOSO, NÃO É ROCK ‘N’ ROLL!

S.I.T.N. – Depois da dissolução do Warfare, você trabalhou com o, não muito duradouro, Warhead, cujo único lançamento é muito difícil de se encontrar. Você poderia nos dar um resumo sobre este período?

Evo – Entediado e PUTO.

S.I.T.N. – Embora eu não tenha achado quase nenhuma informação sobre isso, eu li que você se juntou à banda The Meads of Asphodel, em 2004, na gravação do álbum “Thieves of Fate”. A informação é verdadeira? Se sim, em quais covers você participou?

Evo – Isso é mentira, nunca trabalhei com eles. Fui convidado, mas recusei.

S.I.T.N. – Você recentemente se juntou a Algy Ward na regravação do clássico do The Saints, “Know Your Product”. Como foi o processo? Você tem planos de gravar mais covers ou mais canções novas? Ou mesmo uma volta definitiva?

Evo – Nós apenas o fizemos como uma rajada para mostrar à molecada como se deveria soar. Algy e eu somos amigos há mais de 30 anos, o processo foi fácil tanto como COMER UMA MULHER. Se você já o fez, pode fazer de novo, nós temos que resgatar a agressão da juventude, foda-se o “fator X” (N.E.: expressão que designa o fator que torna uma pessoa “legal”) e tudo que o acompanha.

S.I.T.N. – Infelizmente, hoje em dia há muitos headbangers que discriminam o Punk, ignorando a tênue linha que o separa do Metal. Como você vê esse tipo de atitude? Você já se deparou com muitas pessoas assim?

Evo – SÃO GRANDES TOLOS.

S.I.T.N. – Quais bandas o influenciaram no começo de sua carreira? E que bandas tem ouvido agora? Qual sua opinião sobre a atual cena Punk e Metal?

Evo – Slade/Pink Fairies/T. Rex/Sex Pistols/The Saints/Dr. Feelgood/Thin Lizzy etc. Sobre a nova cena, eu gosto de parte dela, mas no total, falta atitude. Por isso todas as bandas dos anos oitenta voltaram e estão novamente na frente das outras. Nós precisamos da RAIVA, nós precisamos dela agora, nós precisamos da REBELIÃO da juventude.

S.I.T.N. – Bem, eu acho que isso é tudo, Evo. Obrigado por suas palavras! Deixe uma mensagem para todos os leitores e fãs do Warfare!

Evo – Obrigado por seu interesse... ouçam cuidadosamente... muito amor... vítimas... Evo 2010.




Warfare:

http://www.myspace.com/evowarfare

http://www.metal-archives.com/band.php?id=6372


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