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Entrevista - Whipstriker

On terça-feira, fevereiro 09, 2010

Entrevistamos Whipstriker, baixista das bandas Farscape, Atomic Roar e Diabolic Force, e que trabalha em seu projeto solo, batizado também de Whipstriker. Seu novo álbum, "Crude Rock 'n' Roll", está previsto para abril e sua audição já é possível no MySpace. Confiram nossa conversa a respeito de Metal, Rock 'n' Roll e prostitutas!


Screams in The Night – Para começar, Whipstriker é batizado com seu pseudônimo. Trata-se de um projeto solo? Conte-nos como surgiu a idéia de montá-lo.

Whipstriker – A idéia surgiu com o tempo, quando vi que tinha várias músicas compostas que não se encaixariam em nenhuma das outras bandas que toco. São músicas que venho fazendo desde 2001 e não entraram em nenhuma banda. Quando vi que estava com um estoque grande de músicas decidi gravar. Já existem músicas prontas pra outro álbum.

S.I.T.N. – Em “Crude Rock 'n' Roll”, as gravações foram feitas por seus companheiros de banda do Atomic Roar e Farscape. A idéia é manter esta formação? E existem planos para shows?

Whipstriker – Essa pergunta está sendo feita por várias pessoas. Já perguntaram se esse não seria um Farscape Metalpunk. A verdade é a seguinte: chamei os caras do Farscape porque são os caras que eu mais gosto de tocar. Todos nós crescemos juntos, começamos a ouvir som juntos, curtimos as mesmas bandas etc. Desta forma, se eu falo pra qualquer um deles fazer um arranjo ou um solo como Diamond Head ou Warfare, eles fazem sem nenhum tipo de problema. Todos curtem Rock 'n' Roll dos anos 70, Metal (Heavy, Thrash, Death, Black etc) e Punk. Portanto, eles reúnem todos os fatores que eu preciso: são amigos antigos, curtem o que curto e sabem tocar Rock 'n' Roll. Com relação a shows, existem planos sim, mas para o futuro. Se a banda que gravou quiser tocar comigo ficarei bem satisfeito.

S.I.T.N. – Além dos citados Farscape e Atomic Roar, você também é membro do Diabolic Force. Quantas bandas você forma por mês (risos)? Como faz para administrar seu tempo e organizar os compromissos com todas as bandas?


Whipstriker – Não há problemas para administrar tudo. Das três bandas, a mais ativa é o Farscape, que faz vários shows e grava mais materiais. Quando ensaiamos com as outras bandas procuramos dar um foco mais preciso, isto é, definimos uma meta: “vamos ensaiar e compor 10 músicas para gravar um álbum” ou “vamos ensaiar para um show específico”. Dessa forma, o Atomic Roar e o Diabolic Force tomam bem menos tempo que o Farscape. Tenho músicas para um projeto de Black Metal que vou gravar ainda esse ano, falta apenas fazer uns arranjos finais. Esse projeto vai ser algo mais extremo, com uma veia mais Sarcófago.

S.I.T.N. – O ato de compor é algo espontâneo, sei que não é possível dizer “Agora vou compor um riff para essa ou aquela banda...”. Porém, alguma vez já compôs algo e depois ficou indeciso a respeito de para que banda iria utilizar o que escreveu? E o que inspira suas composições?

Whipstriker – Não, nunca tive dúvidas sobre onde utilizar cada música. Cada banda tem uma característica específica. Das três bandas, o Atomic Roar é o mais parecido com o Whipstriker. Mas eu diria que o Atomic é mais Punk e o Whipstriker é mais Rock. O que me inspira para fazer as músicas? Não tenho idéia! Provavelmente são as bandas que eu ouço, que são bem variadas. As influências mais diretas para essas composições novas são Warfare, Venom, Motorhead, Tank, Thin Lizzy e GBH. Componho tudo no violão porque não tenho guitarra. Nesse álbum , após terminar as músicas, montei várias baterias eletrônicas para cada uma delas. Gravei as guitarras por cima e dei ao Pedro Skullkrusher para ele tirar as baterias. Fizemos um ensaio e entramos em estúdio para gravar. Ai começou uma nova gravação. Matamos a bateria, depois as guitarras, baixos e vocais. O processo todo de gravação demorou entre 3 e 4 meses.

S.I.T.N. – Em músicas como “Warfare Merchants”, do Atomic Roar, ou “Out of Scenary” do Whipstriker, você demonstra um forte descontentamento com a cena Metal de hoje em dia. Além das modinhas que assolam o underground, como o “thrash-retrô”, há mais fatores que o levaram a fazer estas críticas? Na sua opinião, o tempo trará melhorias, ou as coisas continuarão da mesma forma ou até pior?


Whipstriker – O fato é que existem atitudes muito ridículas por parte de algumas pessoas. Vou contar um episódio que me inspirou para fazer “Out of Scenary”. Estava em São Paulo para os shows do Kreator e Destruction em 2002. Na porta, todos bebiam felizes esperando o grande momento de entrar para ver o evento. Param na roda dois caras carregados de visual (jaqueta, patch, spike etc) e começam a falar sobre “cena”. Foi aquele velho “blá, blá. blá” de falar sobre cena desunida, cena cheia de falsos, cena isso, cena aquilo. Na seqüência, os caras foram roubar ingressos de uns moleques que estavam na porta do show. Notadamente, eram moleques que estavam começando a ouvir som a pouco tempo. Mas isso não justifica o roubo, trata-se de uma atitude idiota e contraditória. Os caras falam de cena desunida e falsos cena, mas roubam ingressos e impedem que novos headbangers em potencial comecem a curtir som. Com o tempo, comecei a descobrir que o “ideal de cena” buscado pelas pessoas é esse. Os mais radicais vão almejar uma cena sem “falsos” e os menos radicais vão almejar uma cena unida, onde todos os bangers vão ao show de todas as bandas e se falam em harmonia. Definitivamente, se a “cena” é assim eu estou fora. Os caras que mais enchem o saco com esse papo de “cena” normalmente são contraditórios e não fazem nada pela tal “cena”. Não vou em shows de bandas que não gosto só para apoiar a cena. Eu apoio a cena gravando discos, fazendo shows, comprando zines e indo aos shows das bandas que eu curto.
Sobre as modas, não tenho nada a dizer. Isso é normal. Em todos os períodos existiram certas tendências musicas. O Farscape começou em 1998, bem antes da tal moda de “thrash-retrô”. Começamos no período onde o Black/Death Metal era o que estava em alta. Prova disso é que em todos os shows que fazíamos nesse período eram com bandas de Black Metal e Death Metal.
Para finalizar é preciso deixar claro. OUT OF SCENARY não significa que estou fora do cenário, mas que estou fora de um certo tipo de cena e que não concordo com várias atitudes que são glorificadas pelos “policiais da cena”.

S.I.T.N. – Em uma entrevista de 2006, para a Metal Blood, você criticou o preconceito de vários bangers com relação ao Punk. Atualmente, há mais bandas de Metalpunk surgindo, embora ainda não sejam muitas no Brasil. Com isso, o respeito pelo estilo tem aumentado? Ou você ainda vê muito sujeito que desconhece o quanto os dois gêneros possuem estreitas relações?

Whipstriker – Na pergunta anterior falamos sobre tendências. De fato, houve uma mudança na tendência de 2006 para cá. O Punk está mais valorizado pelos Headbangers. Na verdade, o Crossover está ainda mais valorizado que o Punk. Porém, no geral, acho que o Punk e o Rock 'n' Roll são ainda pouco valorizados pelos Headbangers. Não sei se haveria hoje um preconceito como havia antes, mas o fato é que muitas pessoas ainda ignoram as relações entre os dois gêneros como você falou.

S.I.T.N. – Em minha opinião, o fato de você ter várias influências além do Metal, como Rock 'n' Roll e o, já citado, Punk, contribui muito com a qualidade de suas composições. Afinal, estas eram as influências das bandas pioneiras. Infelizmente, parece que muita gente se dedica a ouvir um único estilo, seja ele Thrash, Black, Death, etc. Você diria que este é o principal fator para o imenso número de novas bandas que soam sem graça e apenas como outras tantas por aí?

Whipstriker – Esse é um ponto crucial. Se o cara quer ter uma banda que soe como Kreator ele precisa ouvir também o que os caras do Kreator ouviam. Todas as bandas pioneiras de Thrash ouviam Venom. O pessoal do Venom ouvia Motorhead, Thin Lizzy, Van Halen. Os caras do Motorhead ouviam Thin Lizzy, Beatles, Ramones e por ai vai. Quanto mais influências você tiver, maior será a capacidade de composição. O problema são as misturas de influência. Por exemplo, quando os caras do Sepultura incorporaram as influências indígenas na música, ficou um lixo. Tem gente que curte, mas eu acho horrível. Também não curto misturas de música clássica com Heavy Metal e, muito menos, elementos de eletrônicos e de Hip-Hop. Cada banda tem um “background” de influências que vai fazer com que ela soe de determinada forma. No meu caso, minhas influências vão desde Beatles e Beach Boys até Sarcófago e Morbid Angel. Tudo isso se mistura na minha cabeça e faz com que eu componha de uma determinada forma. Da mesma forma, quanto menos influências a pessoa tiver, menor será sua capacidade de composição e é exatamente por isso que várias bandas de hoje soa sem graça, como você perguntou. Recebo discos de várias bandas de Thrash/Death/Black. Quando vou ouvir, paro na terceira faixa. São 10 músicas iguais. Todos os refrões são parecidos. Todas as bases soam como uma receita de bolo. Essa é uma preocupação que temos com as bandas. Pegue um álbum do Farscape, Atomic Roar ou Diabolic Force. Não têm refrões parecidos. No Whipstriker tentei seguir por esse mesmo caminho e, assim, cada música tem sua especificidade, não soando como a anterior.

S.I.T.N. – Ainda tratando de Punk e Rock 'n' Roll, acha que a onda do “retrô” também tem atingido estes estilos? Você vê bandas boas do gênero surgindo?

Whipstriker – De uma forma mais geral, acho que a onda retrô atinge não só o cenário musical, mas diversos setores da vida social. Há uma onda de “festas anos 80”, “Bailes anos 60” etc. Talvez isso aconteça quando passamos por um período improdutivo ou pobre culturalmente. Não é só no Heavy Metal que há essa onda retrô, mas em todos os estilos.

S.I.T.N. – Atomic Roar, Diabolic Force e Farscape trabalham, respectivamente, com os selos Crush Until Madness, Dark Sun e Unsilent. Tendo vários membros em comum, há algum motivo especial para diferentes escolhas para cada banda? O selo a lançar o álbum “Crude Rock 'n' Roll” já está definido? Se sim, qual é?

Whipstriker – Não há motivos especiais. Assinamos com quer der a melhor proposta. Provavelmente o Whipstriker vai sair pela Dark Sun, mas ainda estamos negociando.

S.I.T.N. – Suas letras abrangem temas como álcool, drogas e prostitutas. Elas representam seu modo de vida e dos headbangers do Rio de Janeiro? Como é o “Rock 'n' Roll way of life” numa terra conhecida pelo funk e carnaval?

Whipstriker – É realmente difícil ser “Roqueiro” no Rio de Janeiro. Em todas as esquinas, em todos os bares e em todos os ônibus e vagões de metrô têm um desgraçado tocando Funk em alto volume em seu aparelho de telefone celular. Só existem dois bares que tocam Rock e Heavy Metal. Um deles é bem caro, o que limita o acesso de muitas pessoas, inclusive o meu. Mas isso já faz parte da cultura da cidade, então acho que todos já estão acostumados. O carnaval é algo bem interessante. É um evento profano. É uma putaria desenfreada com milhares de indivíduos alcolizados em busca de diversão. Eu diria que o Carnaval do Rio de Janeiro é a festa do Anti-Cristo. Não há como negar que a música é um lixo tóxico da pior espécie. Os mais radicais serão contra o Carnaval. Eu não sou! Também não vou deixar de ser Headbanger porque gosto do Carnaval. Qualquer Headbanger que vier ao Rio no Carnaval vai querer encher a cara e comer um monte de mulher gostosa. Tenho realmente pena dos Headbangers cariocas que, em nome de sua “ética metálica”, ficam em casa por quatro dias entediados num calor de 40 graus.
Respondendo sobre as letras. Várias delas abordam temas como Drogas e Prostituição (lembrando que álcool também é droga). Decidi falar sobre isso porque são coisas mais cotidianas na minha vida. Quando saio de casa, me deparo todos os dias com 100 mil prostitutas. Na minha rua tem 3 “casas de amor mercenário”. Na Rua ao lado tem mais 4 e na seguinte mais 3. Quando passeio com meu cachorro (Elvis) fico observando a movimentação dos bares de prostituição. É realmente sensacional e eu me identifico com esse tipo de ambiente. Várias prostitutas fazendo ponto na rua para serem “consumidas” pelos camaradas mais horríveis desse mundo. Os cafetões observando e anotando a saída de cada mulher. Os moleques “aviões” vendendo cocaína para os gringos e para as putas. A polícia fica no meio observando e, provavelmente, ganhando algum dinheiro em cima. É todo um cenário decadente, imoral, profano, enfim, muito interessante. O que eu quero dizer é que esses temas fazem parte do meu cotidiano. Falar de Satã não tem tanta graça. Eu não acredito nele, mesmo porque, de fato, ele não existe. Não que eu seja contra as bandas que falam sobre essas temáticas, inclusive acho legal como uma forma de questionar e ridicularizar o cristianismo. Também não agüento mais falar sobre temas políticos. Sou professor de Geografia e falo sobre esses temas todos os dias em salas de aula. Enfim, prefiro falar sobre coisas que estão mais presentes na minha vida. Além disso, são coisas prazerosas: Sexo, Drogas e Rock 'n' Roll.

S.I.T.N. – Em 2006, você tocou em uma turnê junto com Toxic Holocaust. Como foi esta experiência? É algo que pode ocorrer novamente?

Whipstriker – Foi muito interessante porque eu já era fã da banda. Quando o Joel me chamou eu aceitei na mesma hora. Legal também porque ficou registrado no DVD que saiu pela Mutilation Recs. Se pode ocorrer novamente? Acho que não, pois agora o Joel tem uma banda fixa, basta ver nos novos shows da banda.

S.I.T.N. – O lançamento de “Crude Rock 'n' Roll” está previsto para abril, certo? Como foi feita a produção do álbum? Quais instrumentos e equipamentos mais o agradam para que consiga a sonoridade crua e old-school que utiliza?

Whipstriker – Sai em abril, eu espero. A gravação foi feita no HR-Stúdio e quem produziu fomos eu e o Flávio Pascarillo. É o mesmo estúdio que gravamos o último álbum do Diabolic Force. Outras bandas como Grave Desecrator, Sodomizer e Hellkommander também gravaram seus discos lá. Todos nós curtimos muito gravar lá. Tem um ambiente legal e uma aparelhagem bem estruturada. Além disso, é um estúdio mais voltado para o Rock e Metal, já que a maioria das bandas que ensaiam e gravam lá são desse estilo. O Flávio, produtor, conhece muita coisa de Heavy Metal e é fã de bandas como Misfits, Metallica, Venom, etc. Com relação aos equipamentos a verdade é a seguinte: não há equipamento certo, tem que sair som bom. A guitarra eu gravei com uma Fender Telecaster que pertence ao Leo Witchcaptor. É uma ótima guitarra porque ela por si só já tem uma timbragem linda. O baixo eu gravei com meu antigo Fender Squier. A batera era própria do estúdio e nem me lembro qual era. Os amps eram Marshal JCM900. Os microfones eu não tenho idéia. Bom, o importante é que gostei do resultado.

S.I.T.N. – Obrigado pelo tempo cedido, Whipstriker! O espaço é seu para as palavras finais.

Whipstriker – Eu é que agradeço pelo espaço. Continue com o blog porque isso sim é apoiar a cena. Agradeço aos leitores também por terem lido (ou não) todas as besteiras que falei. Estou sempre aberto para o debate, mandem e-mails.


Whipstriker:

www.myspace.com/whipstriker
whipstriker@yahoo.com.br

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